No final de semana Lara começou a ter febre. Assustados com os episódios anteriores, não exitamos em levá-la ao hospital pediátrico. E lá vem o diagnóstico de otite média. Eu, mais uma vez, pesquisei e conversei com pediátras, pais e mães experientes para saber exatamente o que é essa otite e como cuidar da minha pequenina.
Lara perdeu o apetite (coisa que ela adora é comer e tá rejeitando tudo e estamos conseguindo comer sem que ela peça papa), tem tido febres altas (acima de 39) e seu olhinho está bastante caído.
Bem diferente da minha espoletinha, até tem brincado, mas num ritmo mais devagar. Isso tá apertando demais meu coração.
O que é a otite ou dor de ouvido?
Otite é o termo médico usado para toda infecção do ouvido, que pode ocorrer no ouvido externo ou médio e pode ser aguda ou crônica.
Como é o ouvido?
O ouvido, órgão com a função de audição e equilíbrio, possui três divisões. A primeira, a orelha externa compreende o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo, revestidos por pele, que termina na membrana chamada tímpano. Sua função é localizar a fonte sonora, amplificá-la e levá-la até o ouvido médio. Esta é uma cavidade preenchida por ar e que se localiza dentro do osso temporal (osso que faz parte do crânio) e contêm três pequenos ossos, o martelo, a bigorna e o estribo, que amplificam o som que chega à membrana timpânica para a parte mais interna do ouvido, o labirinto. No ouvido médio também se localiza a tuba auditiva, ou trompa de Eustáquio, que estabelece ligação com o nariz (fato importante na origem da otite média) e que é utilizada para igualar a pressão do ar entre a ouvido médio e o ambiente externo (por isso quando descemos a serra bocejamos ou deglutimos para "desentupir" o ouvido). O labirinto possui uma parte destinada a percepção dos sons, chamada de cóclea, e à conversão das ondas sonoras para estímulos elétricos que serão levados até o cérebro, e outra que contribui para o equilíbrio do corpo.
Por que as crianças são mais afetadas pela otite média do que adultos?
Há muitas razões porque crianças têm mais probabilidade de sofrer de otite média do que adultos. Em primeiro lugar as crianças têm mais problemas para lutar contra infecções. Isso porque seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Outra razão tem a ver com o tubo de eustáquio da criança, uma pequena passagem que conecta a parte superior da garganta com o ouvido médio. Esse tudo é menor na criança do que no adulto, o que contribui para otite média de várias formas. O tubo de eustáquio é geralmente fechado, mas abre regularmente para ventilar ou repor o ar no ouvido médio. Esse tudo iguala a pressão de ar no ouvido médio em resposta a alterações na pressão atmosférica do ambiente. Porém, o tubo de eustáquio que está bloqueado pelo inchaço do seu revestimento, ou entupido por mucosa decorrente de resfriado, não consegue ventilar o ouvido médio. A falta de ventilação pode permitir que acumule fluido.
Um fator a mais que faz a criança mais susceptível à otite média é que suas adenóides são maiores do que em adultos. Adenóides são compostas principalmente por linfócitos que ajudam a lutar contra infecções, porém quando são muito grandes podem interferir com a abertura do tubo de eustáquio. Adicionalmente, a própria adenóide pode ficar infectada, e esse infecção se espalhar para o tubo de eustáquio.
Quando bactérias alcançam o ouvido médio através do revestimento ou passagem do tubo de eustáquio, podem causar infecção que ocasiona inchaço do revestimento do ouvido médio, bloqueando o tubo de eustáquio e provocando a migração de células brancas da corrente sanguínea para ajudar a lutar contra a infecção. Nesse processo as células brancas se acumulam, geralmente matando as bactérias e morrendo depois, ocasionando a formação de pus. À medida que o fluido aumenta, a criança pode ter problemas de audição. Se a infecção piorar, a criança pode ter forte dor.
A infecção da orelha externa é chamada otite externa e do ouvido médio é chamada otite média.
Otite externa
A otite externa é mais comumente causada por bactérias ou fungos. Na maior parte das vezes, eles penetram através de lesões na pele que recobre a orelha externa provocadas por objetos (cotonetes, grampos, por exemplo), por atritos ao coçar ou secar o ouvido e pelo contato com água contaminada (mar, piscina, banhos). O contato freqüente com a água pode facilitar a remoção da cera que serve de proteção para o canal auditivo. Por isso, a otite externa também é conhecida como otite dos nadadores.
Ocorre uma dor intensa e diminuição da audição. Em alguns casos, podem aparecer secreção e coceira. O diagnóstico é feito considerando os sintomas e por meio do exame otológico que permite visualizar o interior do ouvido.
O tratamento da otite externa inclui analgésicos. Antibióticos e antifúngicos são usados como medicação tópica (gotas). Calor local ajuda a aliviar a dor e, no caso de haver coceira, aspirar a secreção pode ser a conduta indicada.
Otite média
A otite média é a segunda doença mais comum da infância, após as infecções de vias aéreas superiores. Segundo um estudo epidemiológico, aos 12 meses de idade cerca de 2/3 das crianças já apresentaram pelo menos um episódio de Otite Média Aguda (OMA), e aos 3 anos cerca de 46% já tiveram 3 ou mais episódios de OMA. Além disso, o estudo mostrava haver dois picos de incidência de OMA: entre 6 e 11 meses de idade (pico mais importante) e entre 4 e 5 anos de idade. Mas pode ocorrer em pessoas de qualquer idade.
A otite média aguda é uma infecção por bactérias ou vírus, que provoca inflamação e/ou obstruções e que se não for tratada pode levar à perda total da audição. Costuma ocorrer durante ou logo após gripes, resfriados, infecções na garganta ou infecções respiratórias.
Os vírus e bactérias, normalmente infectando o nariz e faringe, ascendem pela tuba auditiva e causam acúmulo de pus dentro do ouvido médio. A pressão exercida por esta secreção levará a dor, febre e diminuição da audição. Algumas vezes ela chega a ser tão intensa que leva à ruptura da membrana timpânica e saída de secreção purulenta misturada com sangue pelo conduto externo (otite média aguda supurada).
Os principais sintomas são, portanto, a dor muito forte, diminuição da audição, febre, falta de apetite e secreção local. O diagnóstico se baseia no levantamento dos sintomas e no exame do ouvido com aparelhos específicos como o otoscópio.
O tratamento requer o uso de antibióticos e analgésicos. Em dois ou três dias, a febre desaparece, mas a audição pode leva mais tempo para voltar ao normal. Se a perda auditiva não regredir, pode ser sinal de secreção retida atrás do ouvido médio, que será retirada cirurgicamente através de uma pequena incisão no tímpano. O tímpano geralmente se regenera espontaneamente.
Vacinas contra o Haemophilus influenza e o Streptococcus pneumoniae protegem as crianças de uma série de infecções menores, entre elas a otite média e a amigdalite. Especialmente a vacina contra o pneumococo, consegue reduzir a incidência de otite em 6% ou 7% da população infantil.
Otite média serosa.
A otite média serosa é caracterizada pela presença de secreção inflamatória (serosa). Em geral se manifesta por perda auditiva e otites agudas de repetição. Está relacionada à obstrução da tuba auditiva, podendo fazer parte do quadro clínico das alergias das vias aéreas superiores, aumento da adenóide e sinusites. Seu tratamento pode ser clínico, com resolução espontânea, e ocasionalmente cirúrgico, com a colocação de "tubinhos" de ventilação.
Otite média crônica
A otite média crônica se caracteriza por uma história mais arrastada, com duração de 3 meses ou mais. É a principal responsável pela queda da audição em crianças e, conseqüentemente, do aprendizado. Em geral apresenta uma perfuração permanente na membrana do tímpano, como seqüela de uma otite média aguda mal tratada e que esporadicamente se infecta (sobretudo quando há entrada de água pelo conduto) manifestando-se pela presença de secreção (pus).
As constantes reinfecções desta cavidade podem levar a seqüelas irreversíveis na audição e ainda possibilitar o crescimento de pequenas massas, os chamados colesteatomas, que passam a invadir o ouvido médio causando grandes complicações. O tratamento da otite média crônica inclui controle da infecção (em geral gotas tópicas) e proteção contra entrada de água e até mesmo o tratamento cirúrgico. A cirurgia visa evitar novas infecções e secundariamente tentar recuperar a audição que restou daquele ouvido.
Recomendações e prevenções das otites
• Evite o uso de cotonetes, pois podem retirar a cera protetora do ouvido ou empurrá-la para dentro do canal auditivo ou até mesmo machucá-lo;
• Utilize protetores macios para evitar a entrada de água quando for nadar;
• Limpe, com freqüência, as secreções nasais provocadas por gripes e resfriados, para evitar que o catarro se acumule no nariz e na garganta. Essa recomendação vale especialmente para bebês e crianças pequenas;
• Nunca amamente seu bebê deitado. Essa posição favorece a entrada de líquidos em sua tuba auditiva que predispõe infecções;
• Não introduza objetos que possam ferir a pele para limpar ou coçar o ouvido;
• Enxugue a orelha com cuidado, usando uma toalha macia enrolada na ponta do dedo;
• Cuidado com a automedicação e não siga sugestões de conhecidos para aliviar a dor de ouvido(leite de peito, ervas, azeite não devem ser colocados dentro do ouvido);
• Procure atendimento médico sempre que apresentar dor de ouvido, coceira intensa ou diminuição de audição.
Beijos Cá e Lá (na recuperação)