“O nascimento de um filho provoca alterações físicas, psicológicas e emocionais súbitas, irreversíveis numa mulher (…). Atravessamos uma ponte de sentido único quando temos o primeiro filho”, escreve Kate Figes em A Mulher e a Maternidade (Editorial Presença).
A chegada de uma criança vem revolucionar a vida de uma mulher mais do que qualquer outra coisa, obrigando-a a olhar para dentro de si, convidando-a a reavaliar valores e prioridades, a reorganizar o seu papel na família e as suas relações mais íntimas. Assim, quando tive a pequena Lara reavaliei a minha sempre vontade de ter 2 filhos.
Primeiro, o meu emocional não estava 100%, pois estava muito cansada e achando que não teria disposição para ter outro filho. Boba eu! Nós, mães, temos um amor e força tão grande e incondicional, que aguentamos todo tranco. Deus nos fez forte pra isso. E outro fator era o financeiro. Estamos num proceso de aquisições, apartamento, mobiliários e no momento ficaria difícil ter outro, já que queremos dar ótimo conforto para nossas crias.
E aí num ato "involuntário" da minha vontade de ser mãe novamente, comecei a pesquisar sobre filho único em sites, revistas e principalmente perguntar para mães e filhos únicos o que eles achavam disso.
Sei que na verdade só estava achando uma forma de falar logo que estava louca de vontade de ser mãe novamente, mas que mediante situação, tinha que achar alguma justificativa para o fato.
E vi que ser filho único não é tão rui assim, você sendo firme, sabendo educar e sempre socializar seu filho com outras crianças. Mas tínhamos um impencílio, a Lara não será só filha única e sim tudo único. Neta única das duas partes. Pela minha família temos quatro meninos, como sou temporão, eles já estão crescidos com seus 16, 19 e 23 anos. Isso mesmo, essas são as idades dos meus sobrinhos e ela a única menina, que é xodó também dos primos. Da parte dele também neta única, seu irmão mais velho ainda não manifestou qualquer queda para paternidade. Além disso, é padrinho da Lara e também é louco por ela. Ou seja única sobrinha, única afilhada. Diante de tantos únicos, como criar bem uma pessoinha para que não seja egoísta e saíba dividir se ela não tem com quem dividir?
Vi que de todos os filhos únicos que perguntei se gostavam da experiência, apenas duas mulheres falaram que sim, mas as respostas se coincidiram e me assustaram.
- É ótimo, pois nunca precisei dividir quarto, sempre tive o presente que quis e minha mãe faz todas minhas vontades.
Já viu né? Nem preciso comentar tais respostas.
Bem, como estamos loucos para sermos pais novamente, meu amado maridinho já estava me convencendo de tal coisa antes de eu ter certeza do que queria. Estamos correndo atrás do financeiro para podermos ter 2 em ótimo conforto e condições.
Mas nas minhas pesquisas para quem quer ficar no único filho segue algumas dicas:
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1 Se ter apenas um filho for uma opção, é bom deixar claro para ele. Isso pode evitar chantagens sentimentais. Não sendo uma decisão do casal, não cometer o erro de sentir culpa por não ter tentado com mais afinco ter outros filhos. Geralmente, isso leva os pais a procurarem compensar o "coitadinho", fazendo as vontades e não estabelecendo limites. Pais que decidiram ter filho único são mais realistas e tranquilos, porque sentem que fizeram a escolha certa.
2 Uma criança que se sente valorizada demais pelos pais, ou que recebe excesso de atenção, pode crescer achando que o mundo lhe deve alguma coisa. Resultado: sofre mais com as inevitáveis decepções.
3 Como filhos únicos são precoces, costumam achar crianças da mesma idade bobinhas para o seu gosto. Isso ocorre, em geral, aos 7 ou 8 anos e é mais do que recomendável incentivá-los a conviver e interagir com colegas um pouco mais velhos, em vez de só fazerem programas de adulto.
4 Quando não há irmãos, a criança pode ficar dependente demais dos pais para tudo, da ajuda com o dever de casa às brincadeiras. Ela precisa aprender a se virar sozinha, pois o pai e a mãe não estarão sempre dispostos e/ou disponíveis.
5 Querer dar a seu filho o que você não teve não é nenhum pecado. Mas providenciar o que ele quer segundos depois de manifestar o desejo é acostumá-lo mal. Numa família com mais crianças, cada uma tem de aprender a esperar sua vez. E aprender a esperar é uma lição vital.
6 Seu filho único é o único filho que você tem, não a segunda chance dos pais de realizarem um sonho pessoal, tipo tornar-se uma bailarina clássica ou um craque de futebol. Se a criança perceber que esperam alguma coisa dela (e geralmente percebe), vai se esforçar para atingir um objetivo que pode não ser o que realmente quer na vida.
7 Filhos únicos tendem a ser perfeccionistas, um mal que costumam compartilhar com primogênitos de famílias mais numerosas. Até aí, nada de mal, desde que os pais segurem o impulso de dar um jeitinho extra na arrumação que ele próprio fez da cama ou dos brinquedos. Não se deve esquecer que o melhor possível para uma criança não tem nada a ver com o melhor possível para um adulto.
8 Irmãos implicam uns com os outros e essa é uma boa maneira de aprenderem a se defender melhor. Quem não tem essa experiência pode desenvolver uma sensibilidade exagerada às pequenas maldades que as crianças fazem entre si naturalmente e se magoar com mais facilidade. É importante os pais ficarem atentos para situações assim e explicarem que essas coisas costumam acontecer mesmo e não têm nada demais.
9 Os pais devem aceitar o fato de que seu filho único vai se machucar um pouco. Se isso não acontecer, nunca vai crescer. Deixe-o experimentar alguma adversidade, por mais duro que seja. Vai doer mais em você do que nele, pode acreditar. O que ele mais precisa é do seu tempo e da sua coragem para virar as costas e deixá-lo respirar.
10 Não é possível nem razoável dar tudo para uma criança, única ou não. Não há nada mais prazeroso para qualquer pessoa do que o sabor da conquista. O que vai definir se ela é feliz ou triste é a convivência harmoniosa na família, a boa educação (o que nada substitui) e o apoio dos pais, que não significa apenas passar a mão na cabeça, mas saber dar uma boa bronca quando for preciso. Tudo isso pode ser resumido numa regra simples: para seu Pequeno Príncipe ser feliz, se sentir amado e aprender a amar vivendo no mundinho particular dele, deve saber, sem sombra de dúvida, que tem sinal verde e incentivo para voar alto, mas sem ultrapassar certos limites, importantes para toda criança.
Beijos Cá e Lá (daqui a pouco mais alguém)
Lanche saudável
Há 8 anos


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